Quando fugimos da música
do sim
do não
os pés passearam
e a cabeça.
Sorrisos teus
entre desolhares encontrados,
calçadas desbotadas
sem assento.
Sorriso teu e minha cabeça a passear
na nossa impossibilidade
no teu veto.
Sem riso e eu
pensei voltar.
Risos e rua. Silêncio em
pensamentos meus nos teus
olhos
cabelos
no apertado aroma que em ti
respiro.
Ali, quase achei,
mas a realidade.
Depois nada mais,
nada demais,
nada.
Só movimentos frenéticos
em compassos perdidos
passados.
Depois só meia despedida,
um desencontrar-se de adeus.
Um breve ainda quero mas sei que não.
quinta-feira, março 1
Porque é só em fragmentos
Assassino
Dei dois passos. Ele nem olhou. Chamei sua atenção, um assobio entre os dentes era o mais eficiente. Sem se virar, ele perguntou o quê; eu disse. Depois do sopro no cano do revólver, caminhei outros dois passos, e saí da sala. Entrentrando, uma mulher perguntou. Sem dúvida, digo, dívida de morte é. Nem ouvi o soluço que sucedeu ao grito histérico. Não gosto dessas coisas de saber o depois. O resultado do meu trabalho não é feliz pra todos, bem sei. Mas é o que fiz, o que faço.
Dois dias depois, Cristina mirava nos meus olhos. Era sangue. Veio no meu e jogou dizeres. Medo, não tive, não tenho. Apenas sorri. Fosse o que fosse, merecia. Ela vestia-se dentro dum vestido sóbrio. Sem pensar, atirou. Sem pensar, eu não era mais.
O telefone não tocava há dois meses mais. Isso de contato sem olhar no cara-a-cara nunca me agradou. Falar se diz é olhando, sem entrelinhas. Sujeito esconde nada, não pode. Não consegue, as feições do rosto são legenda. Eu já saía de casa sem dinheiro, e não gastava nenhum. Era só de casa em casa, ouvindo reprovações e tal. Tempos de paz. Arruaceirias e polícia só botando na cadeia, empilhando. Depois soltos voltavam, voavam pelas ruas sem nem. Eu mesmo já caí duas vezes, preso no meio de presos, assassino entre-irmãos. Digo que não fiquei, não permaneci. Fugido não quis ser, sabia a não-demora. Esperei. Fui adquirindo coisas pra cabeça, de modo que pudesse entender as coisas pra melhor. Não esperava ser nenhum professor de coisa-nenhuma, nem nada. O que move meu gatilho é sempre a ignorância, e do dizer de todos de ser isso ruim, quis entender.
É suficiente, foi o que eu disse. Ele olhou, satisfeito. Pagaria mais, mas pra quê. Queria era fazer o serviço logo duma vez. Pra fazer. O dinheiro tinha em duas sacolas de supermercado, pouco mais reforçadas. A metade primeira veio direto, a outra. Peguei foto, endereço, o-que-faz. Estava pronto.
Dílio foi que trouxe pra mim. Eu estava sem, nem precisava. Enquanto não tinha um que-fazer, era era bom que andasse desprevenido. Necessidade, não havendo, melhor andar no duro. Andar ao largo. E tivesse que vir um outro querendo acertar-se por um um, vinha. Eu dava sorrisos. Mas como era preciso, aceitei. Dílio nunca me deu nada do melhor, sempre coisas sem função. Eu acreditava que ele devia é ser meio desregulado doidivanas. Mas envolto num papel de papelão ele me deu o ferro. Peguei, olhei, aquiesci. Doido estava era pra provar. Tá recheada, foi o que perguntei. Sem o espero de ouvir que sim que não já coloquei o cano em contra-parede e disparei fogo.
Dei dois passos. Ele nem olhou. Chamei sua atenção, um assobio entre os dentes era o mais eficiente. Sem se virar, ele perguntou o quê; eu disse. Depois do sopro no cano do revólver, caminhei outros dois passos, e saí da sala. Entrentrando, uma mulher perguntou. Sem dúvida, digo, dívida de morte é. Nem ouvi o soluço que sucedeu ao grito histérico. Não gosto dessas coisas de saber o depois. O resultado do meu trabalho não é feliz pra todos, bem sei. Mas é o que fiz, o que faço.
Dois dias depois, Cristina mirava nos meus olhos. Era sangue. Veio no meu e jogou dizeres. Medo, não tive, não tenho. Apenas sorri. Fosse o que fosse, merecia. Ela vestia-se dentro dum vestido sóbrio. Sem pensar, atirou. Sem pensar, eu não era mais.
O telefone não tocava há dois meses mais. Isso de contato sem olhar no cara-a-cara nunca me agradou. Falar se diz é olhando, sem entrelinhas. Sujeito esconde nada, não pode. Não consegue, as feições do rosto são legenda. Eu já saía de casa sem dinheiro, e não gastava nenhum. Era só de casa em casa, ouvindo reprovações e tal. Tempos de paz. Arruaceirias e polícia só botando na cadeia, empilhando. Depois soltos voltavam, voavam pelas ruas sem nem. Eu mesmo já caí duas vezes, preso no meio de presos, assassino entre-irmãos. Digo que não fiquei, não permaneci. Fugido não quis ser, sabia a não-demora. Esperei. Fui adquirindo coisas pra cabeça, de modo que pudesse entender as coisas pra melhor. Não esperava ser nenhum professor de coisa-nenhuma, nem nada. O que move meu gatilho é sempre a ignorância, e do dizer de todos de ser isso ruim, quis entender.
É suficiente, foi o que eu disse. Ele olhou, satisfeito. Pagaria mais, mas pra quê. Queria era fazer o serviço logo duma vez. Pra fazer. O dinheiro tinha em duas sacolas de supermercado, pouco mais reforçadas. A metade primeira veio direto, a outra. Peguei foto, endereço, o-que-faz. Estava pronto.
Dílio foi que trouxe pra mim. Eu estava sem, nem precisava. Enquanto não tinha um que-fazer, era era bom que andasse desprevenido. Necessidade, não havendo, melhor andar no duro. Andar ao largo. E tivesse que vir um outro querendo acertar-se por um um, vinha. Eu dava sorrisos. Mas como era preciso, aceitei. Dílio nunca me deu nada do melhor, sempre coisas sem função. Eu acreditava que ele devia é ser meio desregulado doidivanas. Mas envolto num papel de papelão ele me deu o ferro. Peguei, olhei, aquiesci. Doido estava era pra provar. Tá recheada, foi o que perguntei. Sem o espero de ouvir que sim que não já coloquei o cano em contra-parede e disparei fogo.
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