segunda-feira, agosto 14

Toca Raul, cabeludo

As Profecias

Tem dias que a gente se sente
Um pouco, talvez, menos gente
Um dia daqueles sem graça
De chuva cair na vidraça
Um dia qualquer sem pensar
Sentindo o futuro no ar
O ar, carregado sutil
Um dia de maio ou abril
Sem qualquer amigo do lado
Sozinho em silêncio calado
Com uma pergunta na alma
Por que nessa tarde tão calma
O tempo parece parado?
Está em qualquer profecia
Dos sábios que viram futuro
Dos loucos que escrevem no muro
Das teias, do sonho remoto
Estouro, explosão, maremoto
A chama da guerra acesa
A fome sentada na mesa
O copo com álcool no bar
O anjo surgindo no mar
Os selos de fogo, o eclipse
Os símbolos do apocalipse
Os séculos de Nostradamus
A fuga geral dos ciganos
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia
Um gosto azedo na boca
A moça que sonha, a louca
O homem que quer mas se esquece
O mundo dá ou que desce
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia
Sem fogo, sem sangue, sem áis
O mundo dos nossos ancestrais
Acaba sem guerra mortais
Sem glorias de Martir ferido
Sem um estrondo, mas com um gemido
Os selos de fogo, o eclipse
Os símbolos do apocalipse
A fuga geral do ciganos
Os séculos de Nostradamus
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia
Um dia...Sim, sim, sim...

segunda-feira, agosto 7

A morte desenha com seus passos sóbrios
a fria ilusão de sentidos.
Parando os olhos, céu fixo.
Doces lembranças apagadas
volitam meio ao gosto rubro,
mas a dor não é. Passos não dados
por vielas desconhecidas.
Vórtice.
Não há luz não há sombra não há nada.
Acabou.
E as palavras perdem (o) sentido.
Gostaria de recuperar algumas coisas, ela disse, gostaria de buscar no passado o que deixei. Eu, sentado, dava as costas. Dava ouvidos surdos, de rebater palavras. Ela falou, é necessário que a gente converse, eu preciso saber. Eu não precisava. Saber não me agrada, e não me traria de volta. Preferi ficar na ignorância. Ela pegou uma caixa e saiu e porta aberta. Eu só fiz fechá-la. E fui dormir.

Domingo postado segunda

É como um ciclo. Começa sempre algum tempo depois de terminar. Amanhã começa outra vez. É tempo de parar um pouco. O momento é de não mais deixar-se levar pelos momentos. Nada feito nas férias. Pouco a fazer agora, a não ser estudar. Ler muito, provavelmente ler mais do que qualquer outra coisa. Sinto que é agora ou nunca (clichê barato), ou começo a cursar letras ou esqueço, talvez procure outra coisa, talvez fora da faculdade. Mas não. É ler. E escrever.