Quero cruzar o rio e te encontrar. Tu estás aí desse lado que nem sei se é outro. Eu estou aqui, te espero sem esperar no porto de sempre sorrisos. Sou o que nunca seremos. Vejo palavras que escorregam dos teus dedos, lágrimas que se desenham como letras e. A água parece superfície calma, mas sei que medo em redemoinhos ocultos. Medo. Danço ainda a mesma noite de quando. E sinto escorregar mais nossas mãos. Era tudo possível, e nada foi. Nada, e tudo dentro. Convulsões e choro sufocados. A frustração dos lábios. Era noite e as palavras se esqueciam de sair de voltar. Eram bocas e só palavras e silêncios e soluços. Eram corpos e música e o agora nunca foi tão sempre, mas o sempre nunca fim. Olhos, nunca mais. Poucas palavras, esparsas dentro dispersas. Apenas o necessário para o desnecessário.Vazio para esquecer mas só memória. Somente fotografias para flutuarem nas águas. E pequenos bilhetes indecifráveis. Resta o porto destruído, esperando um barco que nunca chegará.