segunda-feira, fevereiro 27

Irreversíveis I

A chuva é água que cai. Molha o corpo a roupa o chão. Molha a alma. O inverno uísque dois cubos de gelo. Pareço bebendo corpo mais quente mais. O sentir esquece de passar e os olhos temem a claridade difusa. Os olhos sem coragem coragens. Realidade nublada, flores sem flores árvores sem folhas. Manhã e nem é dia. Sol e nem é sol. Dentro de mim dentro é lá fora. Céu eu. O peso oprime os dentes num sorriso forçado. A bebida desce seca. Céu molha terra fora. Garganta arde. E nem é mais dia depois de ontem. A mesma chuva chove lá aqui, ontem hoje. Janelas abertas e molha o interior. Cada gota é uma tempestade no olho. Cada olho e é como feridas incuráveis. A água enxerga o olho e dói. A água invade a casa quebrando janelas portas. Penetra pelas frestas invisíveis. A chuva foge, procura um abrigo. Escapo de mim e sou nuvem e sou gelo e sou água. Sou o choro que do céu meus olhos doem mas não.