Eu sou
o apóstata da dor,
nos sonhos rasgo papéis
um dia algo importantes,
fiéis num instante, noutro
não mais.
E penso frio que me enregelo
nas mantas covardes da
tua existência vã.
Coloco à inteira disposição
de esclarecer o que já é límpido,
trevar o que é sem efeito,
o paladar insensível da morte.
E tento escrever sem sentido,
dar colorido ao descolorido,
mentir a verdade fatal
sobre a qual construo edifícios
de ouro e concreto maciços,
vigas visíveis do viver vão e vago e volúvel.
Na hora morta que nasce do silêncio
puxo um senso de humor sutil
e escolho tanger o espírito
ao invés de penetrá-lo e encontrá-lo
nu.