domingo, janeiro 2

Tenho muito pouco o que escrever. É estranho. A escrita deveria ser utilizada somente para transmitir alguma informação. No entanto, escreve-se qualquer coisa, basta caneta, papel ou um teclado (ligado ou não a um monitor). Eu escrevo qualquer coisa, e leio também o que atravessar meu campo de leitura – um pouco menos amplo que o de visão. Mas ultimamente não consigo escrever o que vem à mente. Não tenho podido externar-me, ou melhor, pôr-me em palavras. Falta algo. Falta informação, falta o que escrever, sinto a ausência de conteúdo. Tento sair buscando, pergunto-me onde estão as palavras. Ou melhor, qual o paradeiro das idéias?, afinal são estas a cola que dá unidade e coerência àquelas. Estariam nos livros que não estou lendo? Ou na realidade que não vivo? Não tenho a menor idéia. Mas vou continuar correndo atrás, quem sabe encontro uma motivação, algo que consiga tecer, com o fio das idéias, uma casaca azul de palavras. Enquanto isso, encho lingüiça refletindo sobre o meu não-fazer, o ato de não-escrever.