quarta-feira, dezembro 8

Fazendo nada

Por que todo mundo nos pergunta o que temos feito? Essa é uma pergunta universal nas conversas das pessoas? Confesso que não sei, não tenho o hábito de conversar muito. Ela até não é muito incomodativa, o pior é quando a pessoa fica tentando adivinhar: E aí, estudando muito?, Não, Trabalhando então?, Ainda não, Então deves estar lendo bastante, Nada extraordinário, Ah, o negócio então é estar curtindo a vida?, Não, estou arquitetando um plano para matar o presidente, estou atuando em filmes pornô, porra, por que tanta pergunta?, parece que realmente existe interesse. Mas é pura ilusão. Em dois ou três minutos o interlocutor já esqueceu de qualquer coisa que tenhas dito. Porém, digamos que realmente todos aqueles que perguntam sobre as atividades correntes queiram, por algum motivo desconhecido, saber. Por que é tão importante estar fazendo alguma coisa? O indivíduo não pode simplesmente não estar fazendo nada? Isso assusta, temos de ficar sempre em movimento, caminhando, correndo, voando. É a utilidade. Não podemos simplesmente ser inúteis; ainda que não façamos nada em prol do social, que não estejamos trabalhando em uma empresa ou em uma causa, se estamos nos aprimorando, ou refletindo, enfim, fazendo algo para nós mesmos, estamos fazendo algo. Agora, fazer nada é proibido. Não é visto como algo comum, normal. É estranho, inconcebível para aqueles que conciliam cem atividades por dia, excluindo respirar e bombear o sangue, dessas o organismo encarrega-se. Então, a questão até parece fazer sentido. Até a tentativa de adivinhação é aceitável. Quem respira ar acha que o outro faz o mesmo. Não, não é sempre assim. Não estou fazendo nada. Nada!