sábado, novembro 27

Noite na Taverna

"Silêncio, moços! acabai com essas cantilenas horríveis! Não vedes que as mulheres dormem ébrias, macilentas como defuntos? Não sentis que o sono da embriaguez pesa negro naquelas pálpebras onde a beleza sigilou os olhares da volúpia?"

Álvares de Azevedo, Noite na Taverna


É noite.
Os espíritos pensam-se mortos
mas a cada gole sorvido
do líquido ardente
despertam.
Da boca saem-lhes vapores fétidos
murmurantes gemidos
atrozes estórias de ontem
e gargalhadas histriônicas de escárnio.
A verdade é dita mil vezes, mas o ouvido
recebe-as como falsas
de macabra que são.
Necrofilia simulada, adoração,
adultério, hedonismo, profanação,
incesto, demonismo, romantismo
testemunham a insana condição
de débeis mentes aprisionadas
à margem do mundo são.