Na Sbornia se dança o Copérnico
Eu sei que pode ser que cair não cai
doer não doa
sofrer não sofra
Ana Cristina
eu não gosto de você
to amando loucamente
a tua mãe
I am her only son
baby, I have my own house to live
Cada colega de infortúnio é um grande amigo
e embora tenham como eu seu sofrimento
me acompanham e aliviam meus tormentos
ainda bem que não estava "chovendo chuva", nem "ventando vento", e nada impediu que a voz do público ecoasse pela ruas do centro. maravilhoso delírio. um êxtase momentâneo mas intenso. muita risada, a cada momento o ar parecia faltar nos pulmões. sem mais comentários.
Viva o Anarquismo Hiperbólico!
segunda-feira, novembro 29
sábado, novembro 27
Noite na Taverna
"Silêncio, moços! acabai com essas cantilenas horríveis! Não vedes que as mulheres dormem ébrias, macilentas como defuntos? Não sentis que o sono da embriaguez pesa negro naquelas pálpebras onde a beleza sigilou os olhares da volúpia?"
Álvares de Azevedo, Noite na Taverna
É noite.
Os espíritos pensam-se mortos
mas a cada gole sorvido
do líquido ardente
despertam.
Da boca saem-lhes vapores fétidos
murmurantes gemidos
atrozes estórias de ontem
e gargalhadas histriônicas de escárnio.
A verdade é dita mil vezes, mas o ouvido
recebe-as como falsas
de macabra que são.
Necrofilia simulada, adoração,
adultério, hedonismo, profanação,
incesto, demonismo, romantismo
testemunham a insana condição
de débeis mentes aprisionadas
à margem do mundo são.
sexta-feira, novembro 12
o fantasma que não havia morrido - ou vivido...
correm as notícias da minha morte
eu gostaria apenas de retificá-las
não estava bêbado quando parti
nem havia fumado fumaça
ou inalado qualquer coisa
pelo nariz
quando passei estava sóbrio
e estava lúcido, sem uma sombra
de dúvida
não chorei, nem choraram
apenas colocaram meu corpo
no ataúde
o dinheiro levaram, também não faria sentido
enterrá-lo comigo
não posso dizer se foi suicídio
ou assassinato, apesar de ter testemunhado
o ato
maldito ato, alta traição
os culpados já puniram-se, os inocentes não
estes purgarão o fato de não terem feito nada
para socorrerem-me ou
para apressar minha morte
as dores que ainda percorrem-me
são as dores do parto
são as dores do choro
as dores que nascem e morrem
na dor da morte
mas não há importância
o que tocará os vossos corações não é nada disso
o que aconteceu foi que
morri
em
vão
sem deixar vestígios, marcas ou lembranças
morri sem antes viver
morri sem olhar para os lados
morri sem correr em direção ao sol
sem sentir nos lábios a brisa morna do teu hálito
por isso rogo-vos
vivam
o
que
eu
não
vivi
de um (...) que pensa que morreu
eu gostaria apenas de retificá-las
não estava bêbado quando parti
nem havia fumado fumaça
ou inalado qualquer coisa
pelo nariz
quando passei estava sóbrio
e estava lúcido, sem uma sombra
de dúvida
não chorei, nem choraram
apenas colocaram meu corpo
no ataúde
o dinheiro levaram, também não faria sentido
enterrá-lo comigo
não posso dizer se foi suicídio
ou assassinato, apesar de ter testemunhado
o ato
maldito ato, alta traição
os culpados já puniram-se, os inocentes não
estes purgarão o fato de não terem feito nada
para socorrerem-me ou
para apressar minha morte
as dores que ainda percorrem-me
são as dores do parto
são as dores do choro
as dores que nascem e morrem
na dor da morte
mas não há importância
o que tocará os vossos corações não é nada disso
o que aconteceu foi que
morri
em
vão
sem deixar vestígios, marcas ou lembranças
morri sem antes viver
morri sem olhar para os lados
morri sem correr em direção ao sol
sem sentir nos lábios a brisa morna do teu hálito
por isso rogo-vos
vivam
o
que
eu
não
vivi
de um (...) que pensa que morreu
quinta-feira, novembro 11
Da chuva ao nada
Nunca cresci, acho. Ainda fico esperando o sono da mesma maneira que fazia antes, apenas troquei de companhia: se antes dormia assistindo à televisão até o último canal fechar (é, antigamente todos fechavam), agora dificilmente tampo os olhos sem dar uma paginada em algum livro, mesmo que só leia um poema, ou uma página de romance, ou – cúmulo – um verbete inútil de dicionário. Também continuo sonhando acordado, vivendo em um mundo na minha cabeça enquanto na realidade vivo parcamente, sem nenhuma das grandiosidades presentes na minha “surrealidade”. De qualquer maneira, existem hábitos que jamais abandonei, ou eles é que nunca abandonaram a mim.
Uma das coisas de que sentia saudade era um bom banho de chuva. Sentir aquelas gotículas inundando o tecido da minha bermuda, assim como minha epiderme e meus cabelos. Senti-los molhados, o corpo ligeiramente arrepiado, sem entender como fora se meter numa situação daquelas, ele que normalmente protegia-se debaixo de guarda-chuvas, marquises, ou simplesmente ficava atrás da janela, onde vislumbrava através dela a chuva que no momento o tomava.
É tão maravilhoso sentir novamente. É algo como remontar um passado distante, que ficou para trás mas está sendo revivido, remontado, re-sentido. Se eu fosse encarregado de criar um ritual arquetípico, que se repita de modo a rememorar um passado glorioso e exemplar, como uma sagração de um mito de origem ou qualquer coisa do gênero, certamente incluiria um banho de chuva dentre os gestos rituais. Algo ligado com a primordialidade do caos, ou sua proeminência frente à ordem pós-estabelecida. Hoje enquanto apanhava a furiosa tormenta que alagou a cidade consegui ficar sem pensar em nada (que me lembre), foi um desses momentos em que tu não és mais tu, mas te transforma em algo, talvez até una o teu corpo, tua mente, com o resto, com o “não-tu”. De qualquer forma, penso que tive uma experiência meio transcendental, embora fique confuso em retornar à infância, logo eu, um nostálgico inveterado. Creio que vou carregar todas as gotas que caíram sobre meus poros por algum tempo ainda.
Todavia gostaria de mais. Talvez de juntar minhas poucas coisas e tomar banhos de chuvas várias, misturar a água de diversos lugares comigo, criando uma grande massa amorfa, poderia ser até um cimento, ou mesmo algo que não endurecesse, mas que fosse moldável e que pudesse se transformar em qualquer coisa que não fosse eu. Porque eu não dá mais.
Uma das coisas de que sentia saudade era um bom banho de chuva. Sentir aquelas gotículas inundando o tecido da minha bermuda, assim como minha epiderme e meus cabelos. Senti-los molhados, o corpo ligeiramente arrepiado, sem entender como fora se meter numa situação daquelas, ele que normalmente protegia-se debaixo de guarda-chuvas, marquises, ou simplesmente ficava atrás da janela, onde vislumbrava através dela a chuva que no momento o tomava.
É tão maravilhoso sentir novamente. É algo como remontar um passado distante, que ficou para trás mas está sendo revivido, remontado, re-sentido. Se eu fosse encarregado de criar um ritual arquetípico, que se repita de modo a rememorar um passado glorioso e exemplar, como uma sagração de um mito de origem ou qualquer coisa do gênero, certamente incluiria um banho de chuva dentre os gestos rituais. Algo ligado com a primordialidade do caos, ou sua proeminência frente à ordem pós-estabelecida. Hoje enquanto apanhava a furiosa tormenta que alagou a cidade consegui ficar sem pensar em nada (que me lembre), foi um desses momentos em que tu não és mais tu, mas te transforma em algo, talvez até una o teu corpo, tua mente, com o resto, com o “não-tu”. De qualquer forma, penso que tive uma experiência meio transcendental, embora fique confuso em retornar à infância, logo eu, um nostálgico inveterado. Creio que vou carregar todas as gotas que caíram sobre meus poros por algum tempo ainda.
Todavia gostaria de mais. Talvez de juntar minhas poucas coisas e tomar banhos de chuvas várias, misturar a água de diversos lugares comigo, criando uma grande massa amorfa, poderia ser até um cimento, ou mesmo algo que não endurecesse, mas que fosse moldável e que pudesse se transformar em qualquer coisa que não fosse eu. Porque eu não dá mais.
Assinar:
Postagens (Atom)