segunda-feira, setembro 20

Quatro filmes e uma ameaça

Filmes. Quatro neste último fim de semana. Comentários superficiais e sem cronologia.
“Durval discos” quase me agradou. Quase devido à estranheza que me causou alguns percalços da estória. Quase porque não me agradaram todos os atores (exceto o Durval, obviamente). O filme quase – de novo – entra numa discussão sobre a dicotomia velho/novo, utilizando o vinil em relação ao cd. Mas, depois, uma das personagens cai numa loucura maníaco-obsessiva e o filme me desinteressa.
“Uma noite americana” (Day for night), de Truffaut. Nunca havia assistido nenhum filme seu, mas achei bastante acessível. Adorei a metalinguagem que o autor utiliza, um filme dentro de outro, como estivéssemos assistindo a um making of com os detalhes mais minuciosos. É formidável para quem entende de cinema – o que não é meu caso –, tanto pelas técnicas que Truffaut utiliza como pelas que sua personagem (o diretor Ferrand, interpretado por ele mesmo) faz uso. O diretor parece ser realmente um prodígio, em breve checarei suas outras películas.
“As confissões de Schmidt” é um filme brilhante. Não sei se porque o papel é na medida para Jack Nicholson, que o desempenha naturalmente. Um homem aposenta-se, perde a esposa e passa por uma mudança interna. Mas quando finalmente parece que o cara vai explodir, ele pára. E parece voltar ao seu normal. Adorei a correspondência com seu “afilhado” africano de vinte e dois dólares.
O último dos filmes foi o mais surpreendente. Não tenho o hábito de assistir documentários, mas “Janela da alma” parece ter estreado essa nova necessidade. Contando com entrevistas de várias personalidades com diferentes graus de visão, o longa reflete sobre esse sentido tão vulgarizado atualmente, que predomina sobre os demais. E não é só a visão como o senso comum o pensa, também um neurologista dá preciosas informações sobre aspectos mais “científicos”.
Como já havia pronunciado no início, ficarei na superficialidade – não por escolha, mas pela falta dela. Talvez assista a “Deus e o diabo na terra do sol” ainda hoje, mas duvido. Muito sono e pouco saco para agüentar filmes complexos.