quarta-feira, julho 7

Saber e pensar

Eu não sei. Simplesmente não sei. Sim, perguntaram para mim, muitas e muitas vezes. Mas não adianta, por mais que eu persiga uma resposta, por mais que tente encontrar uma lógica nas coisas (pelo menos a minha lógica) eu não sei. Às vezes penso nisso durante horas, durante o dia inteiro, durante um minuto. Na verdade, venho pensando nisso há muito tempo, mais do que eu possa lembrar. Mas apesar de ter consumido horas e horas mastigando e ruminando, eu não consigo saber. Mesmo debruçando-me sobre o que eu quero descobrir, parece que quanto mais eu descubro, menos sei. E esse não-saber me perturba e ao mesmo tempo me excita, cada não-descoberta para mim é algo maravilhoso mas também incômodo. Ás vezes sinto vontade, até mesmo necessidade de saber algo, de ter certezas inabaláveis. Gostaria de olhar as coisas sob um único ângulo, sempre o mesmo e coerente de alguma maneira. Mas parece que sempre que penso algo estou vendo pela primeira vez – não, não é exatamente assim! Eu sinto que algo se acumula em mim, algo como conhecimento, ou desconhecimento, ou dúvidas sobre o que sei e o que não. E isso pesa bastante na hora de lançar um pensamento em direção a algo, lançar uma luz sobre a escuridão para clarear minha visão de algo. O grande problema, entretanto, encontra-se justamente nesse ponto: parece que quanto mais o objeto fica claro, quanto mais eu paro para analisá-lo, mais surgem detalhes e logo estes se transformam em novos objetos, e a coisa vai se abrindo e se bifurcando e se trifurcando e se polifurcando até eu perder completamente o controle, vertiginosamente.
Não sei, isso de pensar está se tornando meio perigoso.