sexta-feira, junho 25

Paixão

Encontrei novamente uma dona estranha. Estava sumida das minhas relações, há muito parecia não travar contato com ela. Lembro de tê-la deixado em algum lugar, perdida na inocência. Sentia-me muito bem com ela, respirava-a pela manhã, passava o(s) dia(s) todo(s) sentindo sua presença, e o meu último pensamento era dela, sempre dela.
Mas eu não descobri, simplesmente: eu a redescobri. Revisitei as veredas recônditas do que posso chamar alma ou coração ou cérebro ou alma-coração-cérebro e pude novamente apreciar as paisagens oníricas criadas na presença dela, dessa moça que vem, e vai, e não importa o que se pense, parece que ela é sempre a determinante em um sistema de forças racionais.
Ela chega sempre na hora exata, porque é sempre a hora exata pra ela, mesmo que não seja para nós.
Os rituais são sempre semelhantes ao cenário das descobertas, mas com – pelo menos – uma diferença: estamos mais maduros. Saímos de um estado de empolgação para o de tédio. Isso parece ser a regra. Mas o que importa é a exceção, é a passagem desse aborrecimento para algo maior, e incrivelmente mais maravilhoso.
É sair da paixão para a não-paixão para a mais-paixão.
Agora que estou frente a frente com ela sinto-me um tanto cauteloso, com medo de dar o braço a torcer e perdê-lo.
Antes perder um braço que nunca tê-lo arriscado.
As certezas.
Estas são as mais prejudicadas pela minha amiga perdida/achada. Mesmo que se tratem de certezas das incertezas, elas são abaladas.
Agora, onde tudo vai dar? O itinerário dessa maluca não é fácil de prever. O melhor mesmo é deixar que ela tome conta de tudo, esperar que não nos obrigue a nada que não queiramos.
Devagar ela vem. Chega arrebatedoramente.Despe-se de suas armas. Vem só. Apenas. Uma. Paixão.