sábado, junho 5

espectadores II

Estranho este universo de blogs. Passeei nele por algum pouco tempo há alguns minutos e, estranhamente, senti como estivesse invadindo privacidade alheia, bisbilhotando. Não é muito convencional eu ter interesse a respeito da vida de outrem, e lendo o que estava lá escrito senti-me como aquele amigo chato que fica perguntando “o que houve?” quando estamos apenas com vontade de baixar a cabeça e fechar os olhos. Não sei se é porque o que eu li pareceu-me muito com o que imagino que se escreva em diários, e por isso não me senti bem, não consigo ser curioso.
Mas foi uma viagem divertida, passar do blog dos amigos para os blog dos amigos dos amigos e então constatar que eu já estava longe, e não possuía nenhuma relação com aquelas pessoas cujos pensamentos eu agora descobria, pensamentos que podem até ser semelhantes aos meus, ainda que escritos de maneira bastante diferente.
Felizmente, quando estava começando a gostar do que lia, o meu computador trancou e tive que fechar todos os programas. Então decidi escrever em vez de ler. Mas quando estava começando a colar a primeira letra da primeira palavra pensei: e se alguém como eu, que também esteja visitando virtualmente registros alheios, deparar-se com isso aqui? Certamente, se não fechar logo de cara vai acabar lendo. Sentirei-me como aquele escritor que diz: “o pior não é vender o livro, é saber que alguém irá lê-lo”.
Ando questionando-me quanto a escrever assim, como estivesse falando com alguém. É muito estranho. Aliás, por que estou escrevendo para ti? Quero dizer, não há um “ti”, não há um interlocutor, ao menos não uma pessoa definida. Estarei então escrevendo para mim? Mas não tenho por quê fazer isso, como coloquei no post passado. É um mistério, e por isso acho tão estranho isso de escrever para alguém, sem na verdade escrever para alguém.